«

»

fev 09

Matrimonio

O Catecismo da Igreja Católica, no nº 1534, nos ensina que o Matrimônio é um dos Sacramentos de Serviço e de Comunhão da Igreja. Isto porque, tendo os noivos já sido iniciados na fé Cristã e na vida da Igreja pelos Sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia, agora, são enriquecidos com uma consagração específica para se tornarem um sinal do amor de Cristo e da Igreja.

O Matrimônio no Antigo Testamento

Duas importantes ideias aparecem no Antigo Testamento para se compreender o projeto de Deus sobre o Matrimonio e a sua elevação à Sacramento. A primeira, presente nos relatos da criação, é que Deus é o autor da aliança matrimonial, pois criou homem e mulher capazes de amar e de viver unidos (cf. Gn 2,24), dotando-os com uma bênção própria (cf. Gn 1,28). A segunda, presente na mensagem dos profetas Oséias, Jeremias, Ezequiel e Isaías, é aquela na qual a relação entre Deus e o povo de Israel é simbolizada pela relação entre esposo e esposa (cf. Os 2,4-25).

O Matrimonio no Novo Testamento

Os Evangelhos de Mateus e de Marcos apresentam Jesus tratando do Matrimônio quando os fariseus perguntam sobre a legitimidade do divórcio. Nestas passagens, Mt 19,2-9 e Mc 10,1-12, Jesus supera o pensamento de sua época e oferece sua compreensão sobre a unidade e a indissolubilidade matrimonial em conformidade com o plano de seu Pai.

A teologia paulina, presente em ICor 7 e Ef 5,21-33, revela o sentido sacramental do Matrimônio. Segundo São Paulo, ele é um “mistério”, no sentido que introduz os noivos batizados na participação da aliança de amor de Cristo com a Igreja e dela com Cristo. Esta aliança encontra sua visibilidade maior na entrega que o Senhor fez de sua vida na Cruz. Desta forma, os noivos participam do Mistério Pascal de Cristo amando e servindo um ao outro.

O Novo Testamento, ainda, apresenta, aprofundando a teologia profética vétero-testamentário, Jesus como o noivo que veio desposar sua Igreja (Mt 9,15; Mc 2,10-20; Lc 5,34-35; Jo 3,9). Este noivado-aliança ocorre na cruz e vai ser celebrado solenemente no fim dos tempos, nas núpcias do Cordeiro (Ap 19,7-9).

A Celebração do Sacramento

Diante do que a Sagrada Escritura propõe sobre o Matrimonio, a Igreja vai formular a celebração deste Sacramento. Destacamos alguns elementos importantes presente no rito: a leitura da Sagrada Escritura, fonte na qual os noivos descobrem as riquezas da vida matrimonial e familiar; o consentimento, onde os noivos, verdadeiros ministros deste Sacramento, se entregam no amor e na fidelidade; a bênção nupcial, onde o sacerdote, testemunha qualificada, faz memória do desígnio salvífico de Deus para o Matrimônio e intercede pelos noivos pedindo sobre eles a graça do Espírito Santo.

Para que um Matrimônio seja celebrado validamente se requer que um dos noivos seja católico e que a celebração seja assistida por uma testemunha qualificada (ministro ordenado) e duas outras testemunhas (comumente chamadas de padrinhos). Além disto, deve ser pronunciado o consentimento matrimonial de forma livre, manifestando o desejo de viver a fidelidade, a indissolubilidade e a abertura à fecundidade.

A Família
Segundo o CIC, no nº 2202, “um homem e uma mulher unidos em casamento formam com seus filhos uma família”. Esta é chamada de “Igreja doméstica”, pois pretende ser uma comunidade de esperança, de fé e de amor. Possui como modelo a própria vida de amor da Trindade e, por isso, deve procurar uma espiritualidade familiar, sustentada pela oração, pela leitura da Escritura Sagrada, pela partilha dos bens espirituais e materiais e pela atividade evangelizadora.
Dentro desta comunidade familiar, todos os seus membros possuem deveres e responsabilidades. O Catecismo lembra, em especial, dois deveres dos pais em relação aos filhos: a educação humana e cristã e o sustento das necessidades espirituais e matérias. Ele lembra também dois principais deveres dos filhos para com os pais: a obediência e o respeito aos pais e a responsabilidade que os filhos adultos têm com seus pais idosos.

Para aprofundar…
Para saber mais sobre o assunto, conferir os parágrafos 1601–1666 e 2201– 2333 do CIC; o Compêndio do Catecismo, perguntas 337–350 e 456–465; o Youcat, perguntas 260–271 e 368– 374; a Sacrosanctum Concilium, nº 77 e 78; e, a Gaudium et Spes, do nº 47 ao 52.